Renato Gaúcho é apresentado como novo técnico do Vasco e revela ter muito 'tesão' no desafio
Renato Gaúcho foi anunciado como novo técnico do Vasco na tarde desta quarta-feira, no CT Moacyr Barbosa. O treinador comandou a equipe pela primeira vez em treino nesta manhã. Em entrevista coletiva, comentou o retorno a São Januário após 18 anos e disse que a prioridade absoluta é o Campeonato Brasileiro.
— Traçar as metas: o Vasco tem três competições. O Brasileiro é prioridade. Tem Copa do Brasil e Sul-Americana. Vamos buscando. Onde o Vasco vai chegar, eu não sei. É difícil para todos, não será fácil para nós. Vamos tentar andar nas três competições, mas a prioridade sempre vai ser o Brasileiro.
Em mais de uma oportunidade, Renato Gaúcho afirmou que está com "muito tesão" para trabalhar no Vasco.
— Estou com muita vontade e tesão de trabalhar. Gosto do que faço. Se não, estaria na minha praia jogando futevôlei e tomando chope. Se estou aqui, é porque gosto do que faço.
Renato afirmou que não há multa rescisória no contrato, que vai até o fim de 2026. O treinador pediu o apoio da torcida e disse que cobrou entrega do elenco para que os resultados apareçam.
— O treinador vive de vitórias. Vive de resultados no Brasil. Lá fora muitas vezes os resultados não vêm, mas é mantido. Se não der resultado no Brasil, a primeira cabeça a rolar é no Brasil. Deus queira que eu permaneça até dezembro, que o clube queira renovar. Eu vim para trabalhar porque estou com tesão. Não tem multa no contrato. Enquanto eu puder entregar, eu continuo.
— No momento que clube e torcida acharem que não dá vou sair de cabeça erguida pela porta da frente, com tranquilidade e cabeça erguida. Por isso não coloco multa. Sempre venho para trabalhar. Vou procurar fazer de tudo para que o torcedor volte a apoiar 90 minutos. Essa cobrança com alguns jogadores, peço também que apoiem.
"O primeiro treinador que procuramos foi o Renato", afirma diretor do Vasco
Renato é o treinador com mais jogos pelo Vasco no século. Esta será a terceira passagem pelo clube. Ele dirigiu a equipe entre 2005 e 2006, período em que foi vice-campeão da Copa do Brasil, e retornou em 2008 para tentar evitar o rebaixamento, objetivo que não alcançou.
— Para mim é um prazer enorme estar voltando. Para o treinador é sempre um desafio independente da época. Desafio treinar uma equipe grande como o Vasco, com uma imensa torcida. Vocês veem hoje em dia que o grupo vem sendo criticado, mas é uma vida nova. Vamos fechar o livro, virar a página. Conversei com o Pedrinho, vamos pensar em novos rumos. O Vasco tem uma enorme torcida — disse Renato, que completou:
— O reflexo do torcedor é o reflexo do time em campo. A torcida sempre apoiou. Quando você vê uma vaia aqui para o torcedor não está saindo de acordo. Então a entrega é fundamental. Sempre falo para o jogador, se você correr, se entregar, não tem torcida no mundo que vai vaiar. A torcida não vai mais vaiar. Os jogadores que entrarem em campo, eles vão ser muito cobrados, pela entrega em campo. Se o torcedor está vendo o time se entregar, o torcedor vem junto.
O último trabalho de Renato Gaúcho foi no Fluminense, no ano passado. O treinador teve desempenho positivo no rival carioca, especialmente na Copa do Mundo de Clubes, mas, após a eliminação na Sul-Americana, deixou o cargo ao alegar desgaste diante de críticas. Em longa resposta, ele afirmou que o maior incômodo é com pessoas que provocam o treinador em entrevistas coletivas.
— Sou um cara independente. Graças a Deus venci na profissão como jogador e treinador. Trabalho porque gosto. Se estou voltando hoje, é porque eu gosto. Tem coisas que me incomodam? Sim. Não só a mim, mas a todos os treinadores. Sempre fui profissional com vocês (jornalistas). Absorvo as críticas positivas, mas hoje em dia qualquer um, todo treinador vem dar coletiva de cabeça quente. Aí vem um cara que quer seguidores, ele não está sendo profissional, mas provoca o treinador.
— Sempre admirei vocês, tenho paciência para caramba. Mas tem horas que vejo outro que não está sendo profissional. Tem treinadores que têm cacife para treinar. Outros ficam calados. Mas se abaixa muito a calça algo vai acontecer. É difícil para o treinador. Tudo que acontece no clube o culpado é o treinador. Chega na coletiva vem o cara com maldade. Uma hora ele vai explodir. Vocês estudaram e levam a profissão a sério. Não tenho nada contra o cara que estava perambulando até ontem e hoje está aqui perguntando, mas seja profissional.
A comissão técnica será composta por Marcelo Salles e Alexandre Mendes, antigos parceiros de trabalho. A estreia será contra o Palmeiras, no dia 12, pelo Campeonato Brasileiro.
Veja outros trechos da coletiva
Estreia em São Januário— Passei a maneira que gosto de trabalhar. Vou exigir bastante entrega em campo. Vocês vão ver a maneira como vão se comportar domingo contra o Palmeiras. Falo do trabalho de hoje para frente. Confio no grupo, não conheço todos os jogadores, mas boa parte. No momento que colocarmos em prática o que eu e os auxiliares queremos, temos certeza que vai ser outro time. Conto que o torcedor vai continuar apoiando mais do que nunca porque vão ver a entrega dentro de campo.
Venda da SAF e a volta de Coutinho
— SAF não é problema meu. É problema do presidente, da diretoria. Nem sei se estão negociando. Meu contrato conversei com muitas pessoas. Muitas pessoas acham que sou brigado com Amodeu, mas muito pelo contrário. Tive uma discussão com ele no Grêmio, mas somos amigos. Esta semana conversei com ele, trabalhamos todos os dias.
— Sou muito admirador do Coutinho. Eu trouxe ele aqui (ao time profissional). Sou admirador. Não sei o que aconteceu, então não toquei no assunto com o presidente Pedrinho.
O que pode ser aproveitado de Fernando Diniz
— O meu trabalho começou hoje, é página virada, independente de coisas boas ou não do trabalho do Diniz, que é meu amigo, gosto muito dele. Cada treinador tem seu método de trabalho, ele tem o dele, eu tenho o meu, respeito ao trabalho dele, mas a partir de hoje é o meu trabalho. É lógico que eu não vou começar aqui do zero, coisas boas a gente sempre procura reaproveitar. Mas essas coisas são um papo meu com o grupo e acrescentar, juntamente com a minha comissão técnica, o que a gente tem de bom para buscar sair da lanterna do Campeonato Brasileiro.
A negociação com Pedrinho foi difícil?
— Ele (Pedrinho) é osso duro (risos). E quem trabalha com ele também. A gente conversou, trocou ideia durante a semana toda. Falei com todo mundo no Vasco. O mais importante é que chegar a um denominador comum bom para mim e para o clube. Eu queria voltar a trabalhar em um grande clube. Agradeço ao Vasco e à diretoria por me dar essa oportunidade. Estou com bastante tesão e vou procurar retribuir essa confiança. O contrato do treinador é sempre demorado. Muita gente questionou, mas estávamos trocando essa ideia.
Janela de transferências
— Lógico que sempre que possível que a diretoria puder dar um reforço, será bem-vindo numa posição que a gente necessite e que o clube tenha condições. Muitas vezes, tem dinheiro, mas não encontra o jogador. Ou quando encontra, o preço é um absurdo.
Terá autonomia para contratar?
— Quando o treinador indica um jogador, é porque quer o bem do clube. Quando o presidente indica, a gente troca ideias. A gente procura fazer o que é bom para o clube. Todas as nossas decisões são em benefício do clube, para estarmos mais fortes nas competições.
Fonte: ge


