MARCOS LAMACCHIA, SOBRE A COMPRA DA SAF: 'FALTA ESSA TURMA QUE QUER DERRUBAR O PEDRINHO PARAR DE TUMULTUAR'
Marcos Lamacchia, investidor que negocia a compra da SAF do Vasco, resolveu quebrar o silêncio e sair em defesa do presidente Pedrinho para conseguir finalizar a operação.
Ao blog, o empresário rebate as acusações de ex-aliados políticos sobre falta de transparência na atual administração e a decisão da Justiça que afastou Pedrinho do cargo.
"O que mais espanta é que em menos de 24 horas após a decisão judicial que afastou o Pedrinho, o Silvio Almeida (ex-vice de finanças) procurou minha equipe para mudar os termos do acordo. Silvio é sócio do Carregal (ex-vice jurídico) e do Marco Schroeder, presidente do Conselho Fiscal da SAF, o mesmo que elaborou o parecer que preparou o caminho da ação que afastou o Pedrinho", afirma.
Além disso, Lamacchia questiona a intervenção judicial que nomeou a advogada Samanta Longo, que já pediu para deixar o cargo, mas emitiu um relatório que não apontou irregularidades.
Marcos também nega participação de Leila Pereira, esposa de seu pai, José Lamachia, que será avalista da operação para garantir o pagamento de dívidas e da recuperação judicial.
"Mais do que isso, a esposa do meu pai não tem absolutamente nada a ver com isso. Ela faz um grande trabalho. Me inspira muito, mas meu objetivo é superá-la", diz Marcos.
CONFIRA A ENTREVISTA:
O que falta para fechar a compra da SAF do Vasco?
Falta essa turma que quer derrubar o Pedrinho parar de tumultuar. Eles têm muitos interesses pessoais. Considero a negociação concluída. Uma negociação desse tamanho tem muitas fases, não é simples. Tivemos conversas intensas, idas e vindas de contrato há quase 2 anos, mas estão tentando desqualificar a negociação, inventando histórias e narrativas para colocar em xeque a credibilidade de quem sempre foi correto do lado do Vasco. Querem induzir a torcida e opinião pública que falta transparência, isso é mentira. Eram mais de 10 pessoas pelo lado do Vasco, inclusive os que atualmente tumultuam, e os únicos de fato que tinham interesses pessoais, que fizeram pedidos, foram afastados do processo e hoje reclamam, entraram com a ação e pedem transparência.
Como recebeu a notícia da renúncia da interventora Samantha Longo após 6 dias de trabalho?
Ficou claro que a intervenção não era necessária. Que foi uma manobra, e o Judiciário e a própria interventora foram induzidos a erro. A administração ia bem, apenas com ajustes usuais e cotidianos. Isso ficou claro no relatório relâmpago da interventora. E justamente essa intervenção abrupta, desnecessária, e ainda com ligação clara com com Silvio Almeida (ex-vice de finanças), criou um ambiente absolutamente instável e insustentável. A trama para conturbar e interromper o negócio ficou escancarada . Ninguém engana todo mundo o tempo todo.
Mas a interventora foi imparcial e o relatório relâmpago comprovou a ausência a irregularidades da gestão. Com a saída dela, o castelo de cartas dessa turma desmoronou de vez. Não faz mais sentido manter essa decisão. Continuar com essa intervenção fantasma só serve para atrasar a vida do Vasco. A interventora viu o tamanho do problema. O risco de descontinuidade que o conselho fiscal apontou acabou se tornando realidade depois dessa manobra. Há incerteza no futuro dos credores e as contratações do futebol seguem paradas. A justiça tem a oportunidade de corrigir esse erro histórico e pacificar o processo de uma vez por todas.
Como a guerra política e com a 777 Partners pode atrapalhar esse processo? Foi por isso que você resolveu se posicionar?
Sou mais reservado. Tenho gasto meu tempo com a minha equipe num projeto de reestruturação do Vasco. Minha ideia era fazer um primeiro pronunciamento para apresentar oficialmente a proposta e o projeto, para aí sim dar transparência aos poderes, conselheiros, sócios e torcida, mas com o afastamento do Pedrinho, tive que mudar meus planos.
A 777 não me preocupa. É uma questão negocial. É uma cortina de fumaça. Na verdade, o que ocorre é que os afastados do grupo do Pedrinho buscam a manutenção de poder via justiça. E o que me preocupa não é a decisão em si. Decisões judiciais se cumprem, se contestam e se reformam. Preocupante é o sinal que isso manda para qualquer investidor que pense entrar no futebol brasileiro. Se não conhecêssemos o Pedrinho e sua equipe, estaríamos fora. Quando a política interna de um clube consegue induzir o Judiciário ao erro, para travar uma negociação bilionária que pode salvar o Vasco às vésperas do anúncio, o prejuízo é incalculável. E o Vasco não pode pagar esse preço.
Eu confio no Poder Judiciário, mas foi induzido ao erro por aqueles que foram afastados da mesa de negociação e que inventam que não existe transparência. Agora o relatório relâmpago da interventora, que não trouxe qualquer indício de fraude, confirmou a real intenção deles. A gestão da SAF vinha cumprindo normalmente suas funções e inclusive pagando corretamente o plano de Recuperação Judicial. Não havia motivo para interferência. A ideia era apenas criar factoides para conturbar e atrasar o fechamento de um acordo que já está concluído. Eles sabiam disso.
Mais do que isso, com o nosso acordo, teremos ainda mais recursos para pagamento de credores. Meu pai que será o avalista, colocou seu patrimônio inteiro para garantir tudo. O patrimônio do meu pai paga a toda dívida do futebol brasileiro. Então os credores podem ficar despreocupados e a Juíza que acompanha a RJ também.
A interventora tomou ciência dos números negativos da SAF e inclusive concluiu que a venda do Vasco é a melhor alternativa para seus problemas. Estamos no meio de uma janela de transferências importante que precisa de investimento. O Vasco não tem mais tempo a perder.
O investimento está condicionado a manutenção do presidente Pedrinho no comando da SAF?
Sem dúvida. 100%. Iremos concluir a negociação com ele, que nunca deveria ter saído, e sequer havia motivo. Mas temos que deixar claro que em nenhum momento colocamos o Pedrinho a frente de instituição. Escolhemos o Vasco pela sua grandeza, história e torcida. Some-se a isso o fato de que o Pedrinho e sua equipe conduziram as negociações com seriedade e transparência do início ao fim. O Pedrinho foi o responsável por criar nosso interesse no Vasco e manter esse interesse nos momentos que mais nos desiludimos, como o atual. Por isso causa estranheza uma decisão judicial que aponta falhas de governança justamente contra esse grupo.
O que mais espanta é que em menos de 24 horas após a decisão judicial que afastou o Pedrinho, o Silvio Almeida procurou minha equipe para mudar os termos do acordo. Silvio é sócio do Carregal e do Marco Schroeder, presidente do Conselho Fiscal da SAF, o mesmo que elaborou o parecer que preparou o caminho da ação que afastou o Pedrinho. Eles são sócios numa empresa de administração judicial mas que está atrapalhando a recuperação judicial do Vasco.
Silvio também é um dos indiciados no Vasco por ter participado na venda para a 777. Com que interesse um vice presidente exonerado nos procura no dia seguinte a decisão para renegociar um acordo fechado? Pela proximidade que ele tem com a interventora que renunciou, ele queria ser o novo representante da justiça? Por que eles querem tanto voltar para a negociação? Essa é a governança que o Conselho Fiscal defende?
Temos urgência em resolver esse imbróglio. Essa judicialização irresponsável parou a vida do Vasco. Será que essa turma sabe que temos uma janela para contratar jogadores, evitar problemas desportivos e contas e credores a pagar?
A empresa considera que há segurança jurídica para a operação diante dos histórico de liminares?
O histórico absurdo de liminares vem exatamente pela política do clube. Para isso a nossa proposta possui mecanismos de defesa da SAF. Pedrinho defende nossa autonomia na SAF exatamente para acabarmos com isso. Não há mais espaço para política tóxica no Vasco. Ele nos pediu o direito de fiscalização, respeito aos poderes do clube, a torcida e, principalmente, a história do Vasco, mas sem tirar nossa autonomia nas decisões administrativas do clube, que é a nossa especialidade.
Ele queria resolver e descansar sabendo que o Vasco estaria em boas mãos, mas nós e o Vasco precisamos dele. Se não fosse ele, essa história não tinha começado. O clube teria sido tomado num golpe e estaríamos longe do Vasco. A torcida deve agradecer muito ao Pedrinho.
Já havíamos feito uma prévia diligência na SAF. Houve um avanço em governança, estruturação e processos. Mas falta dinheiro, e isso nós temos. A polêmica levantada pelo Carregal (ex-vice jurídico exonerado) sobre a cadeira da associação no conselho da SAF, reforça nossa proposta ao clube.
Respeitamos muito à associação, defendemos a transparência e seu poder de fiscalização. Teremos um membro da associação no Conselho de Administração. Mas temos apenas que escolher quem ocupará essa cadeira dentre os membros do conselho deliberativo. A cadeira poderá ser ocupada pelo presidente, benemérito ou conselheiro. Escolheremos. Só não pode ser alguém que tenha o comportamento individualista e destruidor como essa turma. Não vamos admitir um deles no projeto de reestruturação do Vasco.
J
á existe entendimento com a CBF sobre eventuais restrições pela relação com José Lamachia e Leila Pereira (Marcos é enteado da presidente do Palmeiras)?
Nossos representantes são muito qualificados e estão conversando há muito tempo com a CBF. Respeitamos a entidade e as pessoas que lá estão. Reconhecemos o trabalho que eles vêm fazendo. A agência (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) é muito bem estruturada. Acredito que eles se entenderão e acataremos o caminho que for sugerido pela instituição.
Vale dizer também que assinar este acordo é apenas o começo de um processo que passará ainda pelos órgãos do clube e pelo próprio juízo da RJ. Falar em qualquer conflito neste momento é absolutamente precoce.
Mais do que isso, a esposa do meu pai não tem absolutamente nada a ver com isso. Ela faz um grande trabalho. Me inspira muito, mas meu objetivo é superá-la.
Fonte: Blog Diogo Dantas - O Globo
